United Colors of C&A

O que seria um sábado de compras pré-natalinas no centro de Salvador para Antônio dos Anjos Pereira, sua filha Sabrina, de 2 anos, sua mulher, Rosileusa Damasceno, acabou se transformando num pesadelo racista. Ele foi confundido por seguranças do Shopping Piedade, dentro de uma loja C&A, com um seqüestrador.

Antonio dos Anjos é mulato e carregava no colo a filha, de pele mais clara. Depois que conseguiu provar ser o pai de Sabrina, Pereira prestou queixa na polícia pelo ato de racismo e constrangimento. A versão da direção do shopping é que seus funcionários não se envolveram com o caso, ocorrido supostamente “entre clientes da C&A”.

Mas a verdade é que um dos clientes filmou toda a cena com seu telefone celular. As imagens mostram que Antônio dos Anjos estava num ponto da loja com a filha no colo enquanto esperava a mulher que circulava pelo magazine. Num dado momento, uma das sandálias de Sabrina soltou e ela começou a chorar, chamando a atenção dos seguranças, que consideraram “estranha” a cena.

“Quando me abordaram, protestei: aqui é minha filha, rapaz!”, contou, mas eles acabaram insistindo, incentivados por um cliente não identificado que teria gritado: “Ele é negão, não deve ser a filha dele, não“. O pai disse ter ficado muito nervoso com o constrangimento, até que sua mulher, também morena de pele clara, mostrou a carteira de identidade da filha e convenceu os seguranças do equivoco. “Foi meia hora de sufoco“, desabafou, lembrando nunca ter sido vítima de racismo em Salvador, uma cidade que tem população formada por 80% de afrodescendentes.

O caso foi parar na delegacia mais próxima e agora Antônio dos Anjos e sua família estão processando o shopping e a C&A por crime de racismo, cuja pena varia de 1 a 3 anos de prisão.

Via: Agência Estado

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