Assaltaram a Gramática

Uma campanha publicitária do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), lançada na semana passada para estimular o alistamento eleitoral de jovens, apresenta um erro gramatical.

A série de filmes faz parte da campanha “Heróis pela Democracia” e será exibida nos intervalos da TV Cultura. Os filmes levam a assinatura da premiada agência W/Brasil, de Washington Olivetto.

O texto que serve de assinatura em todos os filmes diz o seguinte:

“Heróis existem. Não desperdice o direito que eles tanto lutaram e conquistaram para você. Vote!”

Professores de Português ouvidos pelo site G1 apontam um grave erro de regência verbal na construção das frases. Quem luta, luta por alguma coisa, certo? Então uma forma correta para o texto seria:

“Não desperdice o direito pelo qual eles tanto lutaram e que conquistaram para você”

A assessoria de imprensa do TSE informou que a campanha passou por várias revisões, inclusive gramaticais, nas várias etapas de produção. Segundo o TSE, o conteúdo dos vídeos ainda pode ser modificado até o envio às emissoras.

A agência W/Brasil informou que não há erro gramatical no texto. Segundo o comunicado da agência a observação não procede. Se a assinatura fosse ‘Não desperdice o direito que eles tanto lutaram.’, apenas isso, ela obviamente estaria errada, e o correto seria reescrevê-la da seguinte maneira: ‘Não desperdice o direito pelo qual eles tanto lutaram’, informa a W/Brasil.

Ainda de acordo com o comunicado, não é essa a mensagem que o filme quer comunicar. A W/Brasil diz que a campanha não diz que eles lutaram pelo direito, e sim que eles lutaram para conquistar o direito. E afirma que a palavra ‘direito’ não tem relação sintática com o verbo que vem logo depois (’lutaram’), mas sim com infinitivo ‘conquistar’, do qual é objeto direto. Por isso, na visão dos criadores do filme, a construção está correta.

Polêmica gramatical à parte, os filmes mostram imagens de personagens históricos que contribuíram para a redemocratização do Brasil, como o ex-deputado Ulysses Guimarães, o cartunista Henfil, o sociólogo Betinho e o poeta Vinicius de Moraes, além de cenas que retratam a época da ditadura militar.

Agora é muito estranho que uma peça publicitária de um órgão oficial do governo apresente um erro gramatical. Ah, mas eu já ia esquecendo: tratar bem o nosso idioma não é e nunca foi preocupação neste governo, a começar pelo “iluminado senhor chefe da Nação”, que se orgulha de não ter paciência para ler um livro.

Via: G1

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